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Escrito por Rorschach Antes de dar início a essa resenha, tenho que confessar que já encontrei a primeira grande dificuldade antes mesmo de escrever estas palavras que você, caríssimo visitante, lê agora. Essa dificuldade se dá a uma necessidade natural de enquadrar algo que vemos em nossas “caixinhas mentais” com rótulos de gêneros.
O grande problema em escrever isso, é exatamente por não saber em qual “caixinha” devo colocar o filme argentino “O Segredo de Seus Olhos”, filme que estréia essa semana em circuito comercial nacional. A película conta a história de Benjamin Esposíto (Ricardo Darín – “XXY”), um oficial de justiça aposentado que, nos seus dias de vadiagem calmaria, resolve escrever um livro, e usa como inspiração, um caso de assassinato investigado por ele 25 anos antes. Nesse meio tempo, em meio a memórias e evidências atuais, ele é tomado pela vontade de saber qual foi o rumo que as investigações levaram em todo esse tempo, e se pega refazendo todos os passos da época em que o crime foi cometido.
Se eu parasse por aqui, poderíamos dizer facilmente que esse é um filme policial ou de suspense, mas vamos continuar.
Durante esse tempo, ele relembra também de seus flertes com sua inspetora e amiga Irene Menéndez (Soledad Villamil – “Não é você, sou eu”), por quem tem uma queda clara até nos dias de hoje. Devemos colocar o filme na estante dos romances?
Mas espere, ainda tem mais: conhecemos também o melhor amigo de Sebastian em seus tempos de serviço, Pablo Sandoval (Guillermo Francella – “Rudo e Cursi”), um alcoólatra de nível máximo, que vive se metendo em brigas e fazendo cagada coisas erradas durante a investigação.Ele é um baita alívio cômico, tornando as vezes o filme uma comédia engraçaralha.
Já temos nosso filme dividido entre três estantes, ou caixinhas (em nosso exemplo). E eis que surge Ricardo Morales (Pablo Rago – [Insira aqui algum filme bom dele]), viúvo da vítima do tal crime, que se afunda em lágrimas e desejo de vingança, o que tornaria o filme um dramaralho.
O mais engraçado é que essa “Feijoada Argentina” resulta em um bom filme, graças à boa dose de cada estilo coordenada pelo diretor Juan José Campanella, que já dirigiu episódios de séries como “Lei e Ordem”, “House”, e “30 Rock”.
Tudo isso resulta em um filme divertidíssimo, emocionante e uma indicação justa para o Oscar de melhor filme estrangeiro. Mesmo sendo argentino. Trailer:
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