Em terra de cego, quem tem um olho... Vê cada coisa!
Mas no caso de Ensaio Sobre a Cegueira, quem tem um olho é louco, ou senão, enlouquece. Este é o caso do espectador!
Se você gostou do caos criado pelo Coringa, vai gostar do caos cego criado por Saramago e visualizado por Meirelles, e o mais interessante, é o caos criado por nós mesmos! Estúpidos diante da cegueira branca. Além disso, sabemos que o Coringa é fictício, já a cegueira branca, ninguém ousa falar que não existe?
Sim, cegueira. A história começa em um cruzamento, um motorista japa repentinamente fica cego. Ao procurar ajuda, as pessoas que o encontram vão perdendo a visão também, inclusive seu médico.
Uma reação em cadeia começa, o Governo coloca em um hospício os primeiros doentes de quarentena. Corajosa, a mulher do médico (única a enxergar) vai junto com seu marido.
E lá dentro, surge o inferno, e caro leitor do site do Trilha, você vai sentir essa tensão no cinema, vai ganhar uma raiva enorme contra um cego de nascença e o FDP do Rei da Ala 3.

Como Julianne Moore disse ao Trilha, no mundo real não existe o Batman ou Bruce Willis para nos salvar, mas no caso do Ensaio Sobre a Cegueira, vemos como os seres humanos do sexo masculino, são ridículos e como as mulheres conseguem suportar melhor a dor e as privações.
Tudo isso acontece em uma cidade sem nome, pessoas sem nome, numa época não definida. Contudo, fica a sensação de estamos vivendo esse momento e que a linha entre a civilização e o caos, está bem do nosso lado, ou melhor, na nossa vista!
A vista ou a prazo pagaremos por tudo o que somos.
Veja +
Entrevista Coletiva
FICHA TÉCNICA:
Diretor: Fernando Meirelles
Roteirista: Don McKellar
Baseado na obra de: José Saramago
ELENCO:
Mulher do Médico: Julianne Moore
Médico: Mark Ruffallo
Rapariga: Alice Braga
Velho da Venda Preta: Danny Glover
Rei da Ala 3 Gael García Bernal
E LEMBRE-SE: O PIOR CEGO, É AQUELE QUE NÃO QUER LER.... ESSA REPORTAGEM