O vento venta para ventar. O vento venta, porque tem em sua finalidade ventar. O mar mareia, porque tem em sua finalidade marear. Os tsunamis tsunameiam porque tem em sua finalidade tsunamiar. Segundo o princípio da necessidade, tudo o que existe tem uma finalidade em si, menos o Homem (princípio da contigência).
O Homem precisa tomar muitas decisões no decorrer de sua vida, e assim criam diversas possibilidades que serão afetadas por seu poder de escolha. Um escolha tomada, exclui todas as outras. Segundo o princípio universal de Heráclito, não se pode entrar duas vezes na mesma corrente de um rio, pois o rio já correu.
Quando nos levantamos decidimos se vamos ou não trabalhar? Qual roupa colocar? O que comer? Enfim, uma infinidade de decisões que irão definir nosso dia, enquanto que o vento em sua superioridade, venta. Uma escolha exclui a outra, assim, muitas vezes somos obrigados a conter determinados desejos em função de nossas escolhas. Lembra-me aquele famoso dilema feminino: Dar ou não dar, eis a questão?
Para tomar nossas decisões quase sempre colocamos em voga um dilema moral. Entende-se por Moral: “reflexão sobre a própria vida que teremos em detrimento das outras possibilidades de escolha”. Você está no “lugar de gente feliz”, comprando coisas para o churras, aí você se depara com aquela picanha, a qual você não está com o dinheiro no momento para comprá-la. Você então pensa em subtraí-la discretamente, e entre os dilemas morais, você começa a dar valor às coisas para encontrar argumentos pertinentes a seu favor: a família Diniz já tem o suficiente, uma picanha não fará falta para eles, mas no fundo você sabe que isso é um crime, e nessa transformação de pensamentos em atitudes, você se depara com uma placa dizendo para você sorrir. Logo conclui que não vale a pena o risco e seu churrasco é feito com contra-filé e lingüiça.
Imagine se uma pêra tivesse moral, é chegada a hora de ela se desgrudar da pereira, mas nesse dia está chovendo e o chão cheio de lama. Ela então pergunta para a pereira: Hoje não estou com vontade de cair, pois irei me sujar e isso eu não quero, você se importaria se eu ficasse aqui mais um dia? A pereira responde: Claro que não, mas pense bem, porque amanhã o chão estará seco e você estará mais madura, você pode cair e se espatifar. A pêra entra em um dilema moral, quando cair? Agora ela passa a ter opção de escolha. Então, a pêra torna a perguntar para a pereira: Eu não estou mesmo com vontade de cair hoje, você se importaria então se eu ficasse aqui até apodrecer? Tentarei não incomodar. A pereira com naturalidade responde: sem problemas fique quanto tempo quiser. As peras, na realidade não passam por isso, elas com toda sua superioridade caem.
Eis uma problemática humana, qual seria então a finalidade do ser humano? Ser felizes? Temos o poder de tomar decisões sobre nossa vida, por quê?
Feliz é o vento que venta.
Fontes:
- Questões filosóficas propostas por Aristóteles e seus estudos sobre “eudaimonia”.
- Aula do professor Clóvis de Barros Filho professor de Ciência Política (ECA - USP). www.espacoetica.com.br